A comunidade do Rodeador

O visitante que na rota das cachoeiras de Bonito-PE se depara à sua margem direita com um imenso vale verdejante e cortado por inúmeros rios, numa bucólica paisagem que refrigera a alma e renova forças, não imagina que esse mesmo vale onde corre vida já foi palco de um dos massacres mais sangrentos do Brasil Colônia. O ano era 1820 e ali se formou uma comunidade de gente pobre, homens livres, mas isolados do direito de cidadania mais básico: se alimentar dignamente. Se agruparam em uma comunidade aos pés de um imenso paredão rochoso que abruptamente se encerra marcando o limite natural entre o agreste a a mata pernambucana. 

 

Esse imenso vale sempre abrigou rios de águas cristalinas e fauna riquíssima. Os habitantes chamavam de Paraíso Terral. O nome era bem apropriado para esse local de clima ameno e convidativo a contemplar a natureza. No seu cotidiano, alijados das práticas de um governo colonial, construíram uma vida em torno da esperança de um dia possuírem terras para plantar e colher. Essa esperança era materializada na crença do retorno do rei português Dom Sebastião que foi morto em combate nos areais marroquinos em 1578.  

Como o corpo nunca foi encontrado, e como após a derrota iniciou-se um período de decadência do poderio lusitano, acreditava-se que ele voltaria para restabelecer a glória de Portugal. Essa crença atravessou o tempo e o oceano, aportou nas terra pernambucanas e se moldou à realidade local servindo de força de coesão de um desejo social coletivo.  

 

A instalação dessa comunidade é interessante porque exibe bem as marcas sociais que perduravam no Brasil do século XIX. Essa impressionante história de homens e mulheres que viviam numa comunidade rural terminou de maneira trágica  numa noite de outubro de 1820 quando a escuridão foi cortada pelos tiros das tropas reais que vieram de Recife para desbaratar o arraial.

O cenário foi trágico com mortes para todos os lados e crianças órfãs a chorarem em plena noite pernambucana. Não bastasse o  tétrico cenário das mortes, os soldados empilharam os corpos dos mortos e construíram um imensa fogueira humana que ardeu em chamas até quando raiou o sol. Depois de cumpridos os trâmites burocráticos, os sobreviventes foram levados a pé ao Recife para serem exibidos como troféus de uma guerra insana.

Para conhecer melhor essa história, disponibilizamos, em parceira com o Instituto Serra do Rodeador, a versão digital de duas edições de uma revista que conta em detalhes essa narrativa. Clique e acesse!

Em referência à Memória pelo Bicentenário do Massacre do Rodeador (1820-2020), o artista Marcelo Júlio compôs uma imagem que resgata o primeiro movimento sebastianista do Brasil. Os traços que perfazem o símbolo remontam à silhueta da Pedra do Rodeador na qual foi erigida uma comunidade de prosélitos. Na base da imagem, os traços em vermelho simbolizam o rio que corria próximo ao arraial; tingido de rubro pelo sangue escorrido daqueles que morreram no ataque, carregou em seu leito a duplicidade da vida e morte de um povo. Em destaque, o fogo vazado pela cruz remonta a fé genuína de um povo que conheceu seu crepúsculo pela fogueira de corpos. Ao lado, o sol composto pela coroa, névoa e planta constituem a espera da volta do rei. Sua reivindicação não se configura como uma alienação social, mas apresenta seu fruto por meio do eterno trabalho protagonizado pelos membros da comunidade que, à revelia de um poder indiferente às suas aspirações, constroem seu cotidiano baseado na fé, esperança e trabalho.

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